Pois, agora, ideia não leva acento!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

MOSCOU

Cidade mais silenciosa e poderosa
talvez, antiga como estrela gótica
quem sabe no recôndito domínio
de catedrais encaracoladas
de arcos plenos qu3 se rebaixaram
até agachar as duras estaturas
do Czar Ivan e Stalin, o Terrível,
centro do tempo às vezes submergido
e outras vezes tão única e zenital
que se divisa por toda a terra:
antigas pedras, santos verticais,
tempos escuros como cárceres,
cúpulas de estiletes dourados,
brancos salões de baile onde flutuam
nomes condecorados que caíram
como cravos vermelhos na batalha
e uma energia ardente e silenciosa
como fogueira debaixo do mar.

Pablo Neruda, Elegia